quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Meu primeiro mini-conto de Horror


Injustiça?

 

“Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários.
E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?
Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.
Depois vi o Cordeiro abrir o sexto selo; e sobreveio então um grande terremoto. O sol se escureceu como um tecido de crina, a lua tornou-se toda vermelha como sangue e as estrelas do céu caíram na terra, como frutos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania.
O céu desapareceu como um pedaço de papiro que se enrola e todos os montes e ilhas foram tirados dos seus lugares.
Então os reis da terra, os grandes, os chefes, os ricos, os poderosos, todos, tanto escravos como livres, esconderam-se nas cavernas e grutas das montanhas.
E diziam às montanhas e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o Grande Dia da sua ira, e quem poderá subsistir?” (Apocalipse 6:9-17)

 

 

- Certamente me dirias tu que cometi um erro, que “troquei os pés pelas mãos”, que ao invés de justiça, cometi mais uma injustiça. Mas, eu me recuso de pensar que as ações tomadas em tempo oportuno são equívocos emocionais, não posso acreditar que não fiz justiça, eu vi, eu estava lá:

Um ser abominável, um brutamonte maldito que se assemelha ao homem nas formas, mas ao diabo nas ações. Pérfido. Em suas mãos mantinha um canivete, nos braços um corpo ensanguentado, no rosto do corpo inerte ainda havia resquícios de lágrimas, destacados pela terra do solo. Era visível o conflito pelo qual o ser impotente se submetera para proteger-se de tal “coisa”.
Na pequena faca, sangue; nos olhos malditos, gozo; na criança... Morte.
Que farias tu? Sentaria e choraria? Certamente que sim, se o que pensas é que “apenas” errei como os outros. Não, não fora um erro, fora uma oportunidade. Não se trata de justiça com as próprias mãos.
No solo, mais avermelhado por causa do sangue inocente vertido, ainda havia sinais da secreção corrupta, ainda havia marcas das unhas indefesas, ainda havia pureza derramada, ainda havia umidade.
No Cão havia o sorriso!
O que trazia eu em minhas mãos? Trazia o meu “ganha pão”, a faca da minha vingança, as manchas dos caules cortados e os Lírios do epitáfio desconhecido e forçado.
Pulei em seu pescoço e um golpe tentei, um golpe acertei, com um golpe, um golpe, decepei-lhe a cabeça, o filho do Golias da nova geração jazeu diante de mim.
E o preço? Meu rosto permanece imutável atrás das celas que me velam.
E o preço maior quem pagou? Minhas entranhas permanecem em mim inquietas.
Não chore; não questione; não se comova. Permaneça, pense, cresça. De quem a morte causou pena? A quem a morte causou pena? Por que a morte causou pena?

 

 

Sendo autor e possuindo o direito de heteronimizar garanto a mim a privação das produções tenebrosas, escuras e até mesmo macabras.

Sendo assim, atribuo esse texto como sendo de autoria de:

Zacharias Rhangel de Sait’zadckiel.
 
 
 
 
Não pretendo com este conto, amigo internauta, fazer apologia a qualquer tipo de violência. Antes quero representar, retratar, fazer uma mimese, dos sentimentos que certamente conflitariam dentro de uma pessoa que presenciasse tal ato de crueldade, creio e quero que creiam que a justiça infalível e precisa virá no tempo correto, virá do Supremo Juiz, esperando sua compreensão:
 
O blogger-autor;
Gerson.

 

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