Depois de algum tempo sem publicar nenhum dos
meus textos, impelido por essa nova produção, decidi postá-lo.
O que me motivou? O espírito materno.
O que me inspirou? A beleza da maternidade.
O que é este texto? Uma produção livre.
A noite já vai alta no céu escuro e
pontilhado. Nos trilhos o trem segue seu rumo impetuoso, intrépido e
determinado. Em seu interior milhares de pessoas cansadas voltam aos seus lares
após seus lidares e divagares.
O narrador em pé observa as cenas do interior
da máquina e os cenários pelos quais o veículo passa. Nenhum cenário detém a
atenção daquele que conta essa história e de todas as cenas presenciadas, uma é
a idealizada e essa única cena será a suma das palavras deste discurso.
“Que cena?”. Perguntas tu. Contá-la-ei e
saiba que sem enfeites ou estética da ficção, contar-te-ei do jeito que é; não
do que vi ou gostaria de ter visto, mas do jeito que é.
Uma mãe, meu senhor, uma jovem, vigorosa e
bela mãe, não solteira, nem infiel, mas ainda assim, sedutora, linda e jovem.
Em seus braços, seu Príncipe Fernando, belo,
vigoroso e novo, como a mãe; forte, determinado e saudável.
Príncipe Fernando sorri como um projeto de
galã, se impõe como um futuro rei e pede como um destinado Lord. Quer brincar,
quer ficar de pé no colo que é seu por direito, quer pegar tudo o que puder
alcançar, quer brincar com tudo o que for objeto, quer dar um passo ou dois
incerto, um pirralho imponente de cinco meses que arrisca usar a linguagem
oral, tentativa malsucedida, mas o que importa? Tem cinco meses e arrisca.
E por fim, ainda quer mais, o Príncipe
Fernando, quer tudo o que lhe é de direito. Quer ser amamentado, sem palavras
inteligíveis, sem signos já cadastrados, sem uma linguagem comum; solicita,
pede, insiste, exige, quer seu mama.
Sua mãe, rainha que é, graciosamente tira seu
seio para fora, por cima do decote e alimenta seu principezinho.
Ao terminar de amamentar, sem querer, sua mão
e o braço de seu filho esbarram no passageiro sentado ao lado, educadamente
pede desculpas e o passageiro tocado responde positivamente.
Queria ser eu o passageiro ao lado, pois
responderia que sou eu quem deveria pedir desculpas por permitir-me ser tocado
por régia mão e divino braço.
Eis que não é tarde: Humilho-me nos versos e
nos verbos, pois meus olhos contemplaram a perfeição maternal.
Finalizo: Uma mãe, madona; um filho, realeza
e um observador, plebe. Temos uma história.
(Gerson Elias Rachid de Góes)