quinta-feira, 13 de março de 2014

Inspirações e Devaneios

Éden.

Andavam nus no Jardim,
Adão e Eva,
Mas veio-lhes pelada Serpente,
Contando casos de fazer querer crescer.
Cochichou, Cochichou...
A Eva Cochilou no ponto
Comeu da Fruta
E cá estamos nós
No Sol Tropical de quarenta graus

Vestidos!








Zacharias Rhangel de Saint'zadckiel

Fragmentos


Fragmentos II

                  



Sorri
           Sonolenta
                 Suave
e   Serêêêêêêna...

Criança!





Gérson Elias R. de Góes

segunda-feira, 10 de março de 2014

Devaneios

Desinspirações.

Às vezes tento escrever,
Mas me faltam palavras.

Às vezes tento compor
Um poema ou um capítulo,
Um cenário ou um personagem,
Mas me faltam estruturas sintáticas e morfológicas,
Não ham os léxicos que careço.

Parece que o dicionário
Se torna relativo e incompleto
Pois as palavras não significam o que deveriam significar
E não soam como deveriam soar

Pergunto-me o que fazer,
Então paro de escrever.










Gérson Elias R. de Góes

quarta-feira, 5 de março de 2014

Fragmentos

Fragmentos

  Suspira
Singela
  Sucinta
Sincera

         Cora
Chora
        Corre
Chama

    Teme
Toma
     Tênue
Torna








Gérson Elias R. de Góes

Elizabeth

Elizabeth
A lua ia alta no céu, Elizabeth observava calada. Passaram-se segundos, minutos e horas, a lua foi encoberta por um denso cobertor de nuvens negras e ela continuava lá, observando, as vezes em pé, as vezes sentada e as vezes deitada no chão, mas lá, observando.
Uma, duas, três e mais lágrimas escorreram e escorriam de seus olhos sobre sua face, o mundo girava, naquele momento, ao seu redor. Em seu interior sabia que deveria entrar para casa, que logo começaria a chover e amanheceria, mas recusou-se, ficou lá, estagnada, como antes e posteriormente, por muito tempo. Não fazia ideia de quanto tempo já havia passado ali, sabia que já era madrugada, e te confesso amigo leitor, já era três da madrugada e mais alguns minutos. Continuava lá; as primeiras gotas da chuva prometida começaram a despencar do céu, Elizabeth começou a sentir frio, mas permaneceu lá, pouco a pouco ficava molhada, seus cabelos negros e cacheados destilavam perfume, ensopados com a límpida água. A camiseta que levava no corpo ficava encharcada e não bastasse, era de algodão, ficando transparente por causa do fenômeno, arrancou-lha do corpo, deixando à mostra a perfeição com que fora esculpida, seu busto estava nu e não havia problema algum, ela estava só. Conforme as gostas da chuva escorriam por seu corpo: de seus ombros, por seus pálidos e carentes seios, até a sua intimidade coberta por uma longa saia jeans, sua beleza ficava mais evidente. Lembro-me de seus lábios, também estavam alvos como seu corpo, o que se destacava naquele emaranhado de branquidão eram seus negros e profundos olhos, que não cessavam de chorar, não temia a gripe, ou a febre e nem a morte, permanecia lá, nua, chorosa e bela.
No céu, lá no alto, os anjos a observavam, queriam protegê-la, mas ela não os permitia, queriam tocá-la, despertá-la daquele torpor, mas ela não permitia, do jeito que ficara, permanecera.
Já desconhecia seu próprio nome, sua existência e até o motivo pelo qual chorava. Suas memórias eram uma confusão em sua mente, lembrou-se dum balanço de pneu numa árvore em sua infância, direto para o primeiro beijo na adolescência, uma aliança de ouro no amadurecimento, um filho na mesma época, um carro, um acidente e agora.
No céu, lá no alto, a lua se escondia daquele cenário de tristeza, o sol assumia seu posto e nessa ocasião substituía a lua. Talvez por causa do final do verão, talvez por causa da tristeza daquela manhã, o sol se recusava a brilhar, seus raios não passavam o manto escuro das nuvens e nem tampouco tinham o poder suficiente para acalentar e secar aquele corpo que aos poucos padecia no chão, nu e belo.
A chuva, numa tentativa bondosa de amenizar a dor das almas, continuava caindo, impedia que pessoas saíssem de casa para socorrer aquela madona mais que pesarosa, mas era sua companhia.
Um sino distante soou, um templo gótico anunciou o meio-dia que era enganado pela escuridão daquele cinco de abril solitário e frio, e Elizabeth deixava sua bela estátua morta no chão, enquanto ascendia aos céus, acolhida por milhões de anjos que enfim puderam-na atender.



Gérson Elias Rachid de Góes