sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Inspirações e Devaneios.

O Cântico da esperança de Adão.

Do oeste volte-se para o leste e vê
Que bela será a vida que para ti
Será devolvida pelas Eternas Misericórdias.

Por cinco anos chorarás as culpas que sobre ti
Trouxera em tua tolice e ignorância.

Volte-se para o sul e para o norte e sente
Quão suave é o aroma que te conduzirá todos os teus dias
Até que de Sião venha tua Luz.

Pois um Rei será estabelecido,
Um trono será firmado e não haverá mais morte.

Olha para o alto e lembra o entardecer do início da Criação,
Pois com injustiça foste enganado e por arrogância foste privado
Dos privilégios dados por Um Rei ao teu principado.

Haverá Luz e Alegria em tua cidade
E um abrigo seguro e perpétuo ao lado do Monte Sião.

De ti e do teu lamento haverá misericórdia,
Não se emudecerá para sempre Aquele que te formou,
Aquele que te criou não se esquecerá da promessa que te fez.

Pelo amor com que te formou com as próprias mãos
Lembrar-se-á de ti no dia marcado.

Ele voltará para sua morada e residirá contigo
No trono feito para ti haverá Um Rei
E no templo o incenso nunca cessará de queimar.

Uma aliança eterna foi feita,
Uma nova promessa foi preparada.

Não haverá mais fim,
Nem morte, nem guerra,
Só Luz, graça e música.


Tudo novo fará.






Esse cântico é mais uma das minhas tentativas, desta vez, de produzir um poema religioso sobre os anseios, temores e esperanças de Adão após sua queda. Usei algumas referências que conheço e criei alguns poucos versos, espero que esteja bom, mas como um bom autor, privo-me de acreditar que está bom, afim de melhorá-lo.

O heterônimo: Zacharias Rhangel de Saint'zadckiel.
(O Israelita que tenta fugir do pecado sem que consiga)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Àqueles contos com títulos semelhantes:


Lágrimas Sangrentas.

Sentado em uma grande pedra em uma planície coberta de relva verde no alto de um monte, ele em silêncio meditava na dor que deveria carregar em seu peito, mas por algum motivo que ele desconhecia, lhe era ausente; sem que pudesse compreender não vertia nenhuma lágrima, algo o impedia de chorar penosamente como tanto queria.
Esforçou-se para lembrar o episódio que deveria causar-lhe pesar e assim talvez chorar devidamente:
***
Ela puxava seus braços com toda força que tinha, agarrava-se neles e não os soltava por nada neste mundo. Implorava, gritava e soluçava. Explicava tudo e não era compreendida.
Ela o amava, queria passar todos os dias de sua vida ao lado dele. Não via e não entendia a moral, a religião ou mesmo o Criador dos céus. Ela mesma se entregara a ele e não via nisso erro, enquanto ele insistia, exigia, impunha. Suas crenças são imutáveis, incontestáveis e imortais. Ele as manteria acima de tudo.
Ela rasgava suas roupas, roupas que já eram poucas e de certa forma deveras curtas. Ela se declarava, declamava, insistia e se despia. Ele insistia em recusar, insistia em não ver. Ela sacou do bolso da saia no chão um canivete e sem hesitar enfiou-o no próprio pescoço. Restava a ela, alguns poucos, minutos de vida, ele tentava salvá-la, ela olhava em seus olhos:
- Entreguei-me de todas as maneiras.
***
Lá estava ele, sentado, lembrando-se, impassível.






(Zacharias Rhangel de Saint’Zadckiel)