terça-feira, 28 de outubro de 2014

À Vida

Ensaio sobre a vida

São infinitos os ensaios e as tentativas que almejam
Explicar o insondável inescrutável imensurável
Mistério que cerca e rodeia a origem da vida

Floresce, fecunda, forma, transforma
Rebenta, rompe, cresce, aparece
Novas formas vivas vingando paradoxalmente inanimando
Inanimando na mesma proporção
Em que sutilmente crescem

Talvez um sopro, suspiro, sucinto, suave exale
A vida contida em indescritíveis minúsculas partículas novas
Talvez de um sopro suave e sucinto
Suscite o sonoro sentido de ser
Sutilmente extinto

Infinitos mistério rodeiam e cercam e orbitam
O núcleo esférico celular atômico particular
Da presença singular do coletivo respirar de vida
Subjetiva e inquestionável, pensada finita

O que se faz
O que se fala
O que se almeja
Como se explica
Como se aplica
Como se afirma
O sentido
Ou os sentidos
Da vida?

A vida floresce
Cresce
Fecunda
Rebenta e rompe
Os limites impostos
Pelos mitos produzidos da incerteza
Do ser e do existir

O que se sabe
É que se cresce na mesma proporção em que se esmorece

E se nada do que rompe morre
Antes tudo o que se forma se transforma
O que se faz do que se vai?
Almeja-se e aguarda
Ou se preserva a mágoa
Da incerteza de vir a existir no porvir?

Muitos outrora perguntaram
E outros virão a questionar
Todos de alguma forma
Querem entender e poder explicar
O mistério infinito, imensurável e inescrutável
Da origem, do surgimento
Daquilo que sem explicação e sem mediação
Recebe o nome, o jargão
De vida em sanção

O que se tem e o que se sabe
É pouco e limitado
Todo mito tem origem no fato

O universo, se flutua,
Navega em palavras
Nada, vazio, vago
Explosão, exalação, emanação
Órbitas, galáxias, estrelas
Brilham, alumiam
No pretérito do futuro

Aquilo que aquece
Miscigena e difunde
Floresce, cresce, aparece,
Rompe os limites dos mitos
Daquilo que se busca entender

Rebenta, rompe, quebra, flora e floresce
Nasce, cresce, cria, aumenta e multiplica
Nova vida faz e faço e fazemos
Nasce, cresce e rompe
Floresce fecunda nova

São imensuráveis, inescrutáveis, insondáveis
As profundezas dos mistérios da vida
Do vazio vago abissal
Um suspiro sutil, um singelo sopro
Fazer surgir seres que se reconhecem sendo
Crescentes na mesma proporção em que são seres em constante extinção

Uma sinfonia, uma sonata, um sentimento
Inexplicável sensação de ser, fazer, crescer e... transformar-se
No imenso universo composto
De singelos, sucintos, simples, suspiros, sopros, suaves, seres, serenos, sublimes...
Brilhos, luzes, vagas, plataformas rasas, planas,
água,  fogo, ar, terra e plantas

Planos, sonhos, imagens, artes, musicas e palavras
Vida em seu misterioso modo de se fazer ser
Sempre sublime suprema e imensurável plenitude

Virtude, vicissitudes,
verdade e mito na mesma proporção
Ser, crescer, fazer,
Na mesma medida

Transforma e volta
Floresce, fecunda, forma e transforma e acaba
Na mesma medida em que volta



 Assinado por:

Zacharias Rhangel de Saint’Zadckiel



Em se tratando de Brasil, ficaria complicado dizer "após um longo e tenebroso inverno...", haja vista que no Brasil o inverno não é tão frio, não é tão longo e nem tampouco é tenebroso, o que nos permite realizar perfeitamente qualquer tarefa, assim sendo... após alguma ausência produzi estes versos ao ler sobre o Simbolismo em Portugal, representado por Eugênio de Castro e também ao ouvir "O Pássaro de Fogo e Sagração da Primavera" de Igor Stravinsky... é claro que a animação da Disney "Fantasia 2000" relacionada à primeira música mencionada, tem mais influência na escolha do tema, todavia... é a música que me inspirou. Estes versos pretendem ser Simbolistas... assim como o poeta que o escreveu!

Nota: É evidente que o título "Ensaio..." é empregado poeticamente... haja vista que não sou nenhum filósofo!