Ensaio sobre a vida
São
infinitos os ensaios e as tentativas que almejam
Explicar
o insondável inescrutável imensurável
Mistério
que cerca e rodeia a origem da vida
Floresce,
fecunda, forma, transforma
Rebenta,
rompe, cresce, aparece
Novas
formas vivas vingando paradoxalmente inanimando
Inanimando
na mesma proporção
Em
que sutilmente crescem
Talvez
um sopro, suspiro, sucinto, suave exale
A
vida contida em indescritíveis minúsculas partículas novas
Talvez
de um sopro suave e sucinto
Suscite
o sonoro sentido de ser
Sutilmente
extinto
Infinitos
mistério rodeiam e cercam e orbitam
O
núcleo esférico celular atômico particular
Da
presença singular do coletivo respirar de vida
Subjetiva
e inquestionável, pensada finita
O
que se faz
O
que se fala
O
que se almeja
Como
se explica
Como
se aplica
Como
se afirma
O
sentido
Ou
os sentidos
Da
vida?
A vida
floresce
Cresce
Fecunda
Rebenta
e rompe
Os
limites impostos
Pelos
mitos produzidos da incerteza
Do ser
e do existir
O que
se sabe
É que
se cresce na mesma proporção em que se esmorece
E se
nada do que rompe morre
Antes
tudo o que se forma se transforma
O que
se faz do que se vai?
Almeja-se
e aguarda
Ou se
preserva a mágoa
Da
incerteza de vir a existir no porvir?
Muitos
outrora perguntaram
E
outros virão a questionar
Todos
de alguma forma
Querem
entender e poder explicar
O
mistério infinito, imensurável e inescrutável
Da
origem, do surgimento
Daquilo
que sem explicação e sem mediação
Recebe
o nome, o jargão
De vida
em sanção
O
que se tem e o que se sabe
É
pouco e limitado
Todo
mito tem origem no fato
O
universo, se flutua,
Navega
em palavras
Nada,
vazio, vago
Explosão,
exalação, emanação
Órbitas,
galáxias, estrelas
Brilham,
alumiam
No
pretérito do futuro
Aquilo
que aquece
Miscigena
e difunde
Floresce,
cresce, aparece,
Rompe
os limites dos mitos
Daquilo
que se busca entender
Rebenta,
rompe, quebra, flora e floresce
Nasce,
cresce, cria, aumenta e multiplica
Nova
vida faz e faço e fazemos
Nasce,
cresce e rompe
Floresce
fecunda nova
São
imensuráveis, inescrutáveis, insondáveis
As
profundezas dos mistérios da vida
Do
vazio vago abissal
Um
suspiro sutil, um singelo sopro
Fazer
surgir seres que se reconhecem sendo
Crescentes
na mesma proporção em que são seres em constante extinção
Uma
sinfonia, uma sonata, um sentimento
Inexplicável
sensação de ser, fazer, crescer e... transformar-se
No
imenso universo composto
De
singelos, sucintos, simples, suspiros, sopros, suaves, seres, serenos,
sublimes...
Brilhos,
luzes, vagas, plataformas rasas, planas,
água,
fogo, ar, terra e plantas
Planos,
sonhos, imagens, artes, musicas e palavras
Vida
em seu misterioso modo de se fazer ser
Sempre
sublime suprema e imensurável plenitude
Virtude,
vicissitudes,
verdade
e mito na mesma proporção
Ser,
crescer, fazer,
Na
mesma medida
Transforma
e volta
Floresce,
fecunda, forma e transforma e acaba
Na
mesma medida em que volta
Assinado por:
Zacharias Rhangel de
Saint’Zadckiel
Em se tratando de Brasil, ficaria complicado dizer "após um longo e tenebroso inverno...", haja vista que no Brasil o inverno não é tão frio, não é tão longo e nem tampouco é tenebroso, o que nos permite realizar perfeitamente qualquer tarefa, assim sendo... após alguma ausência produzi estes versos ao ler sobre o Simbolismo em Portugal, representado por Eugênio de Castro e também ao ouvir "O Pássaro de Fogo e Sagração da Primavera" de Igor Stravinsky... é claro que a animação da Disney "Fantasia 2000" relacionada à primeira música mencionada, tem mais influência na escolha do tema, todavia... é a música que me inspirou. Estes versos pretendem ser Simbolistas... assim como o poeta que o escreveu!
Nota: É evidente que o título "Ensaio..." é empregado poeticamente... haja vista que não sou nenhum filósofo!
Nota: É evidente que o título "Ensaio..." é empregado poeticamente... haja vista que não sou nenhum filósofo!