Jota Gê
O
céu fica escuro lá fora e uma forte garoa rompe o silêncio e a sequidão.
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Tive um sonho. Estranho como todos os outros, em alguns momentos belo,
tenebroso, pesaroso, complexo e paradoxal. Como todos os outros. No começo, eu
me vejo sentado em uma poltrona reclinável de couro preto, como a que tenho em
minha sala, a seguir a poltrona começa a flutuar a uns doze centímetros do
chão, depois uns vinte e por fim uns cinquenta e três. Flutuando, ela me leva a
um campo florido, vejo lírios de várias cores, margaridas brancas e amarelas
também, mini-rosas vermelhas, brancas e rosas rosas e vejo lantanas, éricas,
onze horas e dentes de leão. Em um lugar aonde a relva é baixa, limpa e sem
flores, a poltrona pousa. Uma manada de cavalos, brancos, pretos e malhados, passam correndo do norte para o sul aos lados do acento, em determinado momento,
lá no sul, às minhas costas, uma nuvem pousa no solo, fazendo uma rampa pela
qual os animais sobem, leves como o vento. Tudo fica escuro e trovões começam a
ribombar nos quatro cantos da terra, de repente, os trovões formam uma
orquestra com os tímpanos e tambores de Beethoven, Mozart e Bach, os céus ainda
escuros começam a se mover no ritmo das sinfonias e uma horda de corvos e
borboletas negras que estava grudada no céu começa a fazer rasantes, o que fez
parecer que o céu se mexia. Todos esses animais pousam nos meus pés, mas o céu
continua escuro e em movimento.
A
poltrona começa a girar frenética e se transmuta para uma enorme pensão, eu
estou do lado de fora do casarão, tudo nele é feito de madeira, totalmente
escura como o ébano, a casa é quase completamente negra a não ser pelos
inúmeros vidros que formam as janelas e os detalhes decorativos da fachada em
branco ou verde, abro a porta frontal e entro, deparo-me com uma imensa
piscina, pulo na água gélida e mergulho, uma gigantesca baleia, um Kraken, me
carrega água abaixo e me aporta à entrada de uma caverna, o sol brilha a cegar
vista, entro no ambiente, vejo um baú de ouro fino, cravejado por esmeraldas e
águas marinhas, ao abrir o baú maior, encontro um pequeno, uma caixinha de
madeira envelhecida, quase apodrecida, quando abro a caixinha e estou, de
repente, sentado na minha poltrona em casa e você me serve, em uma bandeja, biscoitos caseiros de baunilha e um café fumegante. – Ela olha-o nos olhos, com
os olhares entrecruzados por um minuto ou mais, um beijo se é dado num jogo
interior de emoções e sensações.
***
Wagner
desperta incerto, três da manhã e a solidão. Demasiado emocionado respira
ofegante. Abre a janela, nenhum movimento na rua lá em baixo, Órion saúda-lhe
brilhante.
Paulo Augustus
Esse conto foi criado para, e inspirado em, uma pessoa muito legal, que tem se mostrado sincera, otimista e uma pessoa completa e satisfeita consigo! A Você!