Lágrimas Sangrentas.
Sentado em uma grande pedra em uma planície
coberta de relva verde no alto de um monte, ele em silêncio meditava na dor que
deveria carregar em seu peito, mas por algum motivo que ele desconhecia, lhe
era ausente; sem que pudesse compreender não vertia nenhuma lágrima, algo o
impedia de chorar penosamente como tanto queria.
Esforçou-se para lembrar o episódio que
deveria causar-lhe pesar e assim talvez chorar devidamente:
***
Ela puxava seus braços com toda força que
tinha, agarrava-se neles e não os soltava por nada neste mundo. Implorava,
gritava e soluçava. Explicava tudo e não era compreendida.
Ela o amava, queria passar todos os dias de
sua vida ao lado dele. Não via e não entendia a moral, a religião ou mesmo o
Criador dos céus. Ela mesma se entregara a ele e não via nisso erro, enquanto
ele insistia, exigia, impunha. Suas crenças são imutáveis, incontestáveis e
imortais. Ele as manteria acima de tudo.
Ela rasgava suas roupas, roupas que já eram
poucas e de certa forma deveras curtas. Ela se declarava, declamava, insistia e
se despia. Ele insistia em recusar, insistia em não ver. Ela sacou do bolso da
saia no chão um canivete e sem hesitar enfiou-o no próprio pescoço. Restava a
ela, alguns poucos, minutos de vida, ele tentava salvá-la, ela olhava em seus
olhos:
- Entreguei-me de todas as maneiras.
***
Lá estava ele, sentado, lembrando-se,
impassível.
(Zacharias Rhangel de Saint’Zadckiel)
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