Sobre as manifestações e o cristianismo
Quando Jesus foi interrogado sobre os impostos ele afirmou veementemente
que se deve dar ao governo o que ao governo pertence e a Deus o que é próprio
de Deus. (Mt. 22: 15 – 22; Mc. 12: 13 – 17; Lc. 20: 20 – 26)
Quando a Pedro foi revelado pelo Espírito Santo que Jesus é O Escolhido
do Pai, por Jesus foi revelado aos seus discípulos o processo de sofrimento
pelo qual deveria passar. (Mt. 16: 13 – 28; Mc. 8: 27 – 31; Lc. 9: 18 –
27)
Quando as Escrituras se cumpriram e Jesus foi levado preso pelos
soldados romanos alguns dos discípulos quiseram que Jesus fizesse algo, Jesus
não o fez. (Mt. 26: 47 – 56; Mc. 14: 43 – 50; Lc. 22: 47 – 53; Jo. 18: 1 – 11)
Existe um fator em comum em todas essas situações, em todas elas Jesus
enfatizou a Vinda do Reino de Deus, a chegada do Reino dos Céus, o Final desse
sistema de coisas.
Se me perguntarem:
- Você é contra as manifestações?
Respondo:
- Não!
Se me perguntarem:
- Você está satisfeito com o nosso governo?
Respondo:
-Não!
Se me perguntarem:
- Você participaria das manifestações?
Respondo:
- Não!
As manifestações demonstram o grau de insatisfação do povo em relação
aos representantes do mesmo povo, representantes que se omitem e se esquecem
das suas verdadeiras responsabilidades. Partilho da mesma busca por justiça
plena. Mas, utopia por utopia, fico com a espera pacífica e justa da única
utopia que se perpetuará a ponto de nunca deixar de ser utopia na mesma medida
em que não carecerá de outra utopia.
Se me perguntarem:
- Você ainda aguarda o Reino dos céus?
Eu direi incansavelmente:
- Sim! Pacificamente!
Gostaria de poder dizer que a pessoalidade com que este texto foi
produzido é fruto de um grau elevado de formação e conhecimento, lamento dizer
que é o extremo oposto disso.
Gérson Elias Rachid de Góes.
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